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sábado, 11 de novembro de 2023

POST 298/23 - EU SÓ QUERO É SER FELIZ ... O FUNK

 



Redigi o texto abaixo com a intenção de  colaborar com um grupo que estava produzindo um artigo, mas o mesmo não foi aprovado.  Então resolvi publicar o mesmo aqui no blog, que está a bastante tempo sem receber novas postagens. Vale ressaltar que a foto acima foi criada através da inteligência artificial e são personagens fictícios, apenas para ilustrar o tema.

FUNK

“Eu só quero é ser feliz...”

Essa frase, de um dos refrãos mais badalados do funk carioca, representa muito essa cultura, ou estilo musical, como preferir. Os adeptos estão à procura de extravasar, de esquecer as dificuldades de seu dia a dia, de serem protagonista de uma vida que só lhes trazem barreiras.

Mas, para entendermos melhor tudo isso, precisamos entender como surgiu esse movimento que, na verdade, nasceu bem distante de nós, na década de 60, através da música negra norte-americana. Com uma mistura de soul music, R&B, rock e da música psicodélica, em alta na época, nasce o funk, mas com característica próprias, ritmo malandreado, com baixos e metais fortes e ritmados e, principalmente, com percussão acentuada e dançante.  Foi imediatamente considerado indecente, pois a palavra “funk” tinha conotações sexuais na língua inglesa.

Duas décadas depois, chegou ao Rio de Janeiro com algumas alterações, influenciadas por um novo ritmo originário da Flórida, o Miami Bass, que dispunha de músicas erotizadas e batidas mais rápidas.

Ao final da década de 80, os bailes funk começaram a atrair muitas pessoas. Inicialmente, as letras falavam sobre drogas, armas e a vida nas favelas e posteriormente a temática principal do funk veio a ser a erótica, com letras de conotação sexual e de duplo sentido.

As comunidades abraçaram o movimento, pois sentiam-se ali representadas. Os famosos bailes, aconteciam dentro de suas localidades e as músicas falavam de seu cotidiano. Nenhum outro evento musical se dava em seu território, pois o abandonado do poder público, não possibilitava a segurança necessária para fazê-lo. Aos poucos, um poder paralelo foi se instalando e fomentando ainda mais os bailes, pois pelo acúmulo de pessoas, viam facilitadas suas ações criminosas e o tráfico passou a imperar.

Tal fato fez com que o preconceito aumentasse ainda mais sobre o movimento, conferindo-lhes aos frequentadores, que em sua maioria eram pobres, pretos e moradores da periferia, mais um estigma: funkeiro.

Retornado a nossa primeira frase, O Rap da Felicidade (Cidinho E Doca — https://www.youtube.com/watch?v=7pD8k2zaLqk — lançado em 1994), retrata muito bem a situação que discorremos. Na sequência, apenas 2 anos depois, Mc Bob Rum lança o Rap do Silva (https://www.youtube.com/watch?v=vlZ9MGgC1NI), que conta a história de um pai de família, trabalhador e que gostava muito do movimento. Esses dois funks vão muito além de músicas, pois refletem um contexto histórico de preconceitos, abandono das periferias pelo poder público e a tentativa de apagamento das culturas oriundas dos movimentos negros.

Depois dessa fase inicial, com músicas melodiosas, como as de Mc Marcinho e da inesquecível dupla Claudinho e Buchecha, houve uma deterioração das letras, e a batida empolgante, apesar de se manter, ficou prejudicada por letras sexualmente explicitas, afastando o grande público do movimento.

Com o passar do tempo, o funk carioca foi rompendo fronteiras e se popularizando em várias partes do Brasil e inclusive no exterior. E hoje, depois de mais de quatro décadas, mesmo com os sucessos de ícones como Anitta e Ludmilla, oriundas do movimento, o funk ainda sofre com os preconceitos, ficando notoriamente conhecido como um movimento periférico.  No entanto, é notório que hoje o funk não mais se restringe a um contexto de periferia, basta frequentar qualquer festa “de playboy e de patricinha” para ver o efeito que o ritmo produz.

            Qual o futuro do funk? Observando um dos maiores produtores de vídeo clipes de funk do YouTube na atualidade, KondZilla, com seus mais de 66 milhões de inscritos e lançando diversos clipes novos por semana, pode-se dizer que o futuro do movimento ainda é muito próspero e promissor. Com sua batida extremamente contagiante, que seja longa a vida dessa parte tão rica de nossa cultura.


Até a próxima,

                       Amo vocês, 

                                          Marcel Peixoto


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

FAVELA OU COMUNIDADE? DONA OU SANTA? SEMPRE MARTA.


Olá... No título desta postagem já deixo claro as minhas dúvidas... 

A primeira delas é nomear o conjunto de moradias.  Para mim, sempre foi favela, contudo referir-se desta forma hoje em dia soa como algo pejorativo, sendo que o politicamente correto seria dizer comunidade. Busquei esclarecimento no dicionário e descobri que comunidade é "qualquer grupo social que habitam uma região determinada, têm um mesmo governo e estão irmanados por uma mesma herança cultural e histórico".  Já a definição de favela é "conjunto de habitações populares toscamente construídas (por via de regras em morros) e desprovidas de recursos higiênicos".  

Diante das definições acima, acho que fica claro que ainda falta muito para podermos nos referir a conjuntos habitacionais como esse, como sendo uma comunidade...  Precisamos trabalhar para que isso mude, pois as pessoas que ali residem não precisam de um governo paralelo e sim de casas decentes com saneamento básico e todas as demais prerrogativas que o ser humano deve ter.

A propósito, a foto acima foi clicada mim, da Rua Real Grandeza / Botafogo em novembro deste ano.

Quanto a segunda dúvida, descobri que a denominação Santa Marta remonta do início do século XX, quando uma devota levou uma imagem da Santa  para o alto do morro, imagem esta que ganhou uma capela na década de 30. Por essa razão passaram a chamar o morro de Santa Marta.  Tempos depois, alguns intolerantes religiosos começaram a referir-se ao morro como Dona Marta, por não possuírem devoção a Santa. Eis o início da confusão.

Mas quem foi Marta?  Marta é uma  personagem bíblica, descrita nos Evangelhos, e segundo os mesmos  ela era irmã de Maria e de Lázaro, da aldeia de Betânia.  Marta foi uma das mulheres que acompanharam  Jesus no calvário e na ressurreição.  O nome Marta vem do hebraico e significa "senhora".  Santa Marta apresenta-se como modelo ativo de quem acolhe. 

Talvez por essa razão a Favela Santa Marta, acolhedora como a Santa, tenha abrigado Michael Jackson, em seu melhor clipe  e recentemente ainda a 1a. UUP do Rio.

Até a próxima...
                          Amo vocês...
                                                  Marcel Peixoto